sexta-feira, 14 de setembro de 2012

4ª e 5ª manga


O tempo instável e o vento mistral têm causado várias interrupções na “voabilidade” dos dias, e mais uma vez ficamos alguns dias sem voar. Nada de novo nos Alpes…
A 4ª manga desenrolou-se pela 1ª vez com céu azul, sem nuvens, mas com o andamento do costume. Um grande grupo na frente sempre com ritmo  altissimo, e vários fugitivos a tentar opções diferentes. No entanto ate ao final manteve-se sempre mais ou menos coeso.
Na penultima baliza houve finalmente a decisão final ao revelar-se bastante complexa a condição aerológica no local da baliza. A previsão indicava vento forte e durante a manga tínhamos vindo a verificar isso mesmo, com longas transições contra-vento a notar-se particularmente se se ficasse baixo. Aqui, fiquei sotaventado juntamente com um grupo de cerca de 20 pilotos e 50m fizeram a diferença entre quem conseguiu passar por cima do monte para o barlavento ou quem ficou no escoamento varrido e foi para o chão. Ainda assim consegui escapar ao sacar uma térmica muito derivada do fundo do vale e chegar ao golo, mas com bastante atraso para o grupo onde vinha até ali. O Ciby vinha também bem posicionado e com grande ritmo, a mostrar uma subida notável de forma e a adaptar-se ao local e ao estilo de voo por aqui (prego a fundo). No entanto acabou por sofrer um grande fechaço na saída da ultima térmica e com alguma má sorte perdeu o controlo da asa. Teve de lançar o paraquedas de emergência e aterrou em segurança e sem danos físicos. Apenas o ego ficou ferido, e o sentimento de que é possível voar ao nível dos melhores do mundo.

O resto da equipa entrou no end-of-speed.section um pouco mais tarde, num dia bastante duro em que entrou vento forte a dificultar a prova.

A 5ª manga foi arrancada a ferros num dia bastante frio e estável. A descolagem foi atrasada varias vezes mas finalmente la fomos todos para o ar. Subia-se menos e com mais dificuldade que nos dias anteriores mas na hora do start lá fomos todos. Na 2ª baliza entramos num vale que ainda não tínhamos voado antes e havia térmica forte mas sabíamos que no regresso teríamos de passar no mesmo percurso e com a velocidade que íamos, antevia-se uma parte chata. Aqui fizemos o tecto máximo do dia, cerca 2500m,  mas revelou-se muito duro e penoso o regresso. Bastante turbulência e vento forte de frente condicionaram esta parte da prova e o Roberto  e o Ciby acabaram por não conseguir passar no venturi de regresso ao vale principal. Aqui a condição também não estava fácil e a térmica estava bastante forte e turbulenta. Houve algumas “quase-colisoes” e foi necessária a maxima atenção e concentração na pilotagem da asa. A corrida continuava e o grupo da frente sempre a puxar forte. A próxima baliza era no sotavento da crista que delimita a passagem para o vale seguinte e foi feita com pouca altura para novo regresso á crista do meio do vale, onde sempre nos apoiamos nas transições entre balizas. Parecia que íamos sempre contra-vento e notava-se o dia a terminar já, com os topos da térmica a ficarem mais abaixo que no inicio da corrida. A transição do vale para a ultima baliza foi feita a optimizar as linhas e depois foi so encostar á crista do outro lado que nos levava quase á baliza. Mais uma vez as ascendentes bastante desordenadas dificultaram a subida e atrasei-me na saída para o golo. Cheguei com 11 minutos de atraso para o 1º num dia difícil mas em que ainda assim terminaram cerca de 80 pilotos. O numero diz tudo.. o Paulo Silva acabou por aterrar na zona da ultima baliza ao apanhar já a condição a morrer e com o vento a aumentar ainda mais.
Amanhã é o ultimo dia do campeonato, continuamos focados até ao fim.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Manga 3 - 85km

Boas pessoal!

Hoje previa-se um grande dia de voo, o qual se veio a verificar.
Subimos cedo para a descolagem para termos tempo de fazer tudo com calma. 
Foi definida uma manga de 85km's com start ás 13h.
Descolamos cedo e foi fácil a subida aos 2200m, tivemos de aguentar na base da nuvem meia-hora pelo start na crista em frente á descolagem e a coisa não estava muito fácil, tudo na molhada e alguma turbulência.
Abertura do start, pata a fundo e vamos direito á 1ª baliza com algum vento de costas. A meio foi necessário enrolar, onde aqui, se destacaram dois grupos, um mais á direita e um pequeno grupo mais á esquerda, tendo o da esquerda tomado a decisão mais acertada, pois subiram mais e a trancissão para a baliza foi a melhor. Picada a baliza, meia volta, tudo a descer relativamente bem, onde o Roberto e alguns pilotos ficaram, pois em baixo o vento era mais forte e estavam mais baixos. Os dois grupos agrupam-se novamente, uns mais altos que outros e foi altura de encostar a uma crista para se subir. Vento forte de frente, sempre no boianço até ao final da crista, onde estava a térmica a bombar e era preciso segurar o tchan para se subir a +5. Saída p a 2ª baliza que ficava a 2km's da descolagem, de crista em crista, enrolando quando se apanhava térmica forte. Feita a 2ª baliza, foi tempo de encostar e ir andando na crista da descolagem, onde só se enrolou por cima das antenas e se foi á nuvem. A partir daqui o voo foi sempre feito acima dos 2000, debaixo de nuvem e só se enrolava térmica de +7. Chegados á 3ª baliza, já nossa conhecida (Cheval Blanc), nem foi preciso enrolar para 'quase' ;) se entrar dentro da nuvem a 3000, com umas pingas á mistura, sempre de pata a fundo.

 Picada a ultima baliza, tínhamos pela frente os ultimos 13km's até ao golo, que foram feitos sempre a direito, por cima das cristas, sem enrolar passando por muitos canhões, no qual se tinha de tirar o pé. O Paulo Silva, não teve a mesma sorte que os outros e acabou por aterrar a seguir á última baliza.
Continuamos em 15º e está tudo em aberto.
Amanha a coisa promete novamente.

Ciby

sábado, 8 de setembro de 2012

2ª manga válida e 3ª, cancelada

Boas!
Aproveitamos algum tempo livre para fazer um ponto de situação dos últimos dias.
Identificámos o que correu menos bem no 1º dia e subimos mais cedo para termos tempo de preparar com calma o material, comer, analisar as condições e definir a estratégia com tempo, sem pressas.
Sabíamos que o dia era novamente bastante instável mas uma inversão por volta dos 3000 e picos eliminava o risco de sobre-desenvolvimento das nuvens, tranquilizando um pouco quanto á questão dos cumulonimbus. Ainda assim os primeiros puffs começaram a surgir cedo, típico de um dia de "descambanço".
Para garantir a questão da segurança foi definida uma manga mais curta, cerca de 78km: duas idas-e-voltas no vale em frente de St. André, com final na crista do costume e aterragem na margem do lago. O spot é uma autêntica pista de corridas, permitindo várias opções e estratégias diferentes nas transições entre as balizas, com vários alinhamentos de cristas e todo o tipo de terreno desde alta montanha a pequenas colinas ou mesmo quase plano.
A descolagem pareceu-nos ser um pouco cedo demais e de facto houve bastantes problemas para subir na primeira térmica. Vários pilotos começaram a ficar baixo e foi com dificuldade que alguns se safaram. Pouco depois as condições melhoraram substancialmente mas infelizmente já tínhamos duas baixas: o Dinis e o Roberto, que descolaram com os primeiros e foram para o chão.
A corrida começou então como no dia anterior, com apoio nas cristas do meio do vale. O tecto estava mais baixo que no 1º dia mas ainda assim foi sempre pé na tábua. O regresso da primeira baliza era contra vento, mas sempre com apoio, a certa altura dois pilotos atravessam o vale para ir pela crista de fora e arrastam um grande grupo atrás mas a uma grande descendente obrigou quase toda a gente a voltar para trás e ir subir novamente no mesmo sítio da térmica anterior. Aqui foi possível recuperar algum tempo e os nossos pilotos chegaram-se á frente no ataque á 2ª baliza. Alguns spots estavam bem mexidinhos, com térmica forte mas turbulenta, a obrigar a manter o sangue frio e concentração total. No regresso á montanha grande - Cheval Blanc - atacámos o barlavento do monte onde sempre subimos no start, havia um fugitivo que liderava a prova com cerca de 2km de avanço e um grupo de 20 a 30 logo atrás. O Paulo e o Ciby tomaram uma opção que os atrasou ao tentarem ir subir no sotavento, que estava á sombra. A baliza foi feita a subir a direito pela encosta, em "dinâmico" a 2000m. Quem ficou a enrolar na térmica atrasou-se desnecessariamente e aqui definiu-se o grupo que chegaria á frente. O Nuno conseguiu colar aos outros 12-15 pilotos que arrancaram e entraram todos em menos de 1minuto no golo. A chegada foi como sempre de acelerador a fundo e com algum risco por estar perto da parede. Um grande assimétrico ainda assustou mas a asa recuperou sem entrar em configurações complicadas e foi carregar novamente no pedal até á linha de meta. O Ciby que vinha atrás, atacou a ultima baliza por outra via e acabou por ficar na sombra de uma grande nuvem, sem conseguir garantir o regresso e terminar a prova. O Paulo veio pela encosta da descolagem e chegou ao final mais tarde mas garantindo pontos importantes para a equipa num dia difícil. Estamos em 15º e ainda há muito campeonato pela frente.

De referir a fraca prestação - ou falta de sorte/concentração/tranguice - Francesa. A jogar em casa e com uma equipa teoricamente muito forte, estão muito abaixo dos lugares habituais e virtualmente já sem hipótese de qualquer lugar de relevo. A ver se com isto não tentam condicionar o desenho das próximas mangas.



O 3º dia anunciava algum risco de desenvolvimentos verticais, pelo que foi definida uma manga a fugir para a planície a oeste. Descolámos mas ainda antes do start foi cancelada devido a algumas nuvens já bastante ameaçadoras no percurso da prova. Pareceu-nos um pouco precipitado mas sendo a favor da segurança não temos nada a apontar.
Fomos ocupar o resto da tarde com umas corridas de catamarã no lago próximo. Rapidamente se viu que somos descendentes de marinheiros e navegadores, mas isso agora já dava para outra longa história :)

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

1ª manga, finalmente!

depois de vários dias de chuva...

Bem cedo ficou definida a manga, 103km numa ida e volta pelas cristas e a terminar com uma triangulação na zona de St. André. Já deu para perceber que vamos aterrar sempre em casa.
No inicio estava bastante estável e parecia difícil subir mas rapidamente a condição melhorou e toda a gente saltou para a crista em frente á descolagem , no meio do vale, para se posicionar para o start.
O inicio foi como o resto do voo, transições sempre a fundo de crista em crista e bem marcadas pelas nuvens que por esta altura já cobriam grande parte do céu.
Na passagem de um grande vale formaram-se dois grupos que tomaram decisões bastante diferentes. O Ciby foi pela esquerda, mais a oeste, e foi dos primeiros a picar a baliza mas esta decisão acabou por mostrar-se menos boa pois o grupo demorou muito tempo a subir novamente para atravessar o grande vale no caminho de regresso.
Todos os outros passaram pela direita, onde havia apoio de montnhas mais altas e com térmicas bem marcadas por cúmulos. Registos de +8m/s e base a 2900m. O regresso foi relativamente fácil e seguimos de crista em crista no sentido de volta.
Por esta altura o céu começou a tapar e grandes cúmulos cobriam de sombra zonas bastante grandes. As transições foram feitas contra vento em longos planeios, sem subir. no entanto ao ficar baixo, encostando ás encostas acabava-se por subir relativamente bem.
Por esta altura o Nuno ia no grupo da frente, cerca de 20 pilotos liderados pelo top pilot local, e piloto de testes da ozone, Russel Ogden.
O Dinis vinha um pouco mais atrás e o resto da malta na perseguição.
A zona de voo é realmente incrível e durante todo o percurso cruzámos com planadores, a voar em todas as direcções e a mostrar quais as zonas da nuvem que estavam a funcionar melhor. Muitos pássaros também. Há por aqui uma espécie de abutre bastante rara, o quebra-ossos. São uma ajuda preciosa nalgumas situações.

No ataque á 2ª baliza, o vento fazia-se sentir e apesar de se ir relativamente baixo tinha apoio nas cristas mas começou a ser notório que haveria sobre-desenvolvimentos. Os congestus previstos na análise meteo já se viam por aqui e por ali.
Mais uma vez o ataque á ultima baliza a ser liderado por Russ Ogden e o restante logo na cola.
A travessia dos últimos vales foi bastante rápida, há uma serie de cristas viradas a oeste onde foi só encostar e catrapumba, lá pra cima. Na tirada final fomos alcançados por um gupo vindo de trás que ganhou bastante mais altura e lucrou com o vento mais forte na camada de cima, vindo por isso com bastante mais velocidade. O vencedor iria ser discutido ao segundo. A linha de golo é um cilindro de 1000m da baliza que fica no topo do monte e por isso dá pra fazer abaixo da cota mais alta. Há no entanto que garantir o suficiente para encostar na zona que delimita o final.
O Nuno chegou em 12º, aterrou e pouco depois a manga foi parada devido a algumas nuvens na zona de voo estarem já a descarregar. De facto quem vinha atrás teve já alguns problemas com muita sombra mas principalmente chuva e inclusive granizo. O Paulo aterrou já no limite do parachutal, devido a ter a asa molhada, e o Roberto apanhou também com a nuvem a descarregar.
Vamos aguardar pelos resultados.

Os próximos dias prometem!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Dia 3 - Cancelado

Terceiro dia do Campeonato Europeu de Parapente cancelado por más condições meteorológicas. Contudo a equipa fez um treino de voo de manha e outro ao final da tarde para reconhecimento da zona. Amanha e sexta espera-se grandes dias de voo. Finalmente vai começar realmente a corrida... ;)


terça-feira, 4 de setembro de 2012

Dia 2 - Cancelado

Hoje mais uma vez não se voou por falta de meteo favorável. Espera-se que amanha seja possível.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Dia 1 - Europeu 2012

Dia cancelado por meteo não favorável.

domingo, 2 de setembro de 2012

Cerimónia de Abertura

Da esquerda para a direita: Daniel Carvalho, Dinis Carvalho, Roberto Torres, Paulo Silva, Eduardo Lagoa (Team Leader) e Nuno Virgílio
Hoje mais um dia de treinos mas com pilotos a aterrar cedo por condições meteo duvidosas. Seguiu-se briefing e cerimónia de abertura.

Amanha é o primeiro dia de prova. Não se prevê grande dia de voo, mas tudo é possível. ;)

Chegada e reconhecimento

Vista para a Vila de Saint André Les Alpes

Boa noite.

Estamos com alguns problemas no acesso à Internet, mas entretanto ficará resolvido. Para hoje (sábado) a meteorologia local não prometia muito mas ainda assim tivemos tempo para fazer um pequeno treino de reconhecimento no final da manha. O local parece ser fantástico para voar. Durante a tarde a chuva e a trovoada não permitiram voar. Aproveitamos para fazer as inscrições com calma e por tudo afinado.

Para os próximos 2 a 3 dias a meteorologia continua a não ser muito favorável, contudo pensamos que será possível voltar a voar.

Fiquem atentos. ;)

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Campeonato Europeu de Parapente 2012


Dará inicio a partir de 31 de Agosto de 2012 o 12º Campeonato Europeu de Parapente que terá lugar em Saint André Les Alpes na França. Brevemente mais informações da equipa que irá representar Portugal nesta prova.

Deixamos já alguns links úteis:
Pagina Oficial
FAI


12th FAI European Paragliding Championship Saint Andre les Alpes from AEROGLISS on Vimeo.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Dia 2

Voámos ontem a 2ª manga. 74km com a habitual baliza pré-start à direita da descolagem. Start à entrada de Piedrahita seguido de uma baliza a W da povoação e golo em Ávila. Cedo se percebeu que a condição estava bem fraca, uma vez que os wind-dummies que descolaram não conseguiram subir e acabaram a voar bem baixos no vale.
Com a abertura da janela pelas 13:00, praticamente todos os pilotos descolaram e acabaram a "ladeirar" sem conseguir subir mais que uma centena de metros acima da descolagem. Fizemos o pré-start e dirigimo-nos à baliza de início da prova. Sempre baixos e encostados à montanha. O Cláudio viu um piloto acidentado na encosta e tentou aterrar junto a ele para o socorrer mas era uma zona de saída de térmica turbulenta e penedos que não permitia aterrar em segurança. Foi-lhe comunicado que a organização já estava a par acerca da presença do piloto acidentado e continuou a prova.
O Lacerda que vinha um pouco mais atrás juntou-se praticamente ao grupo onde já estava o Cláudio e seguiram juntos à 1ª baliza e depois em direcção à famosa e dificil passagem de Villatoro. Decisão difícil entre encostar à montanha para subir ou jogar tudo no vale. O 1º grupo tinha subido bem na montanha. Havia um grupo mais pequeno a derivar e a subir pouco no vale. Fizemos uma linha muito boa por cima dos primeiros declives da montanha e na chegada aos Currais a decisão tinha que ser tomada. Vale ou montanha. Fomos para a montanha. Não conseguimos subir como esperávamos e por isso tentámos aproveitar a altura que ainda restava para passar por cima de Villafranca e tentar subir no monte da pedreira. Não conseguimos e acabámos aterrados. O Paulo tinha-se atrasado a fazer o start e não conseguiu chegar à baliza devido ao vento que já se fazia sentir.
Mais tarde foi-nos tristemente comunicado que um outro piloto se tinha acidentado. Infelizmente Francisco Vargas (Argentina) e Eitel Von Muhlenbrock (Chile) acabaram por falecer, em consequência dos acidentes que sofreram.

A Equipa Portuguesa apresenta aqui os profundos pêsames à família, amigos e companheiros de Equipa dos pilotos.

Desportivamente tivemos 2 dias de resultados abaixo do que pretendíamos. Os acontecimentos de ontem afectaram-nos de alguma maneira e discutimos bastante o assunto mas temos consciência e motivação para continuar a dar o nosso melhor nas próximas mangas.

Comunicado da organização do evento aqui

Resultados da 2ª manga aqui




quarta-feira, 6 de julho de 2011

Dia 1

Chegamos todos ao golo sim, atrasados, o Cláudio que não tinha o live track a funcionar chegou 15min depois do primeiro, o Paulo uns 30min e eu 40min. Fiquei baixo antes do start em Villatoro e depois a seguir a Ávila o que me atrasou muito. O problema maior é que eu e o Cláudio entramos no espaço aéreo proibido. E em principio vamos ter zero pontos na manga. Só amanhã é que saem os resultados. Estamos para aqui a repensar a vida que pior começo não podia haver. O voo foi todo muito rápido 3h para fazer 154km havia desde cedo vento com fartura e térmica forte e turbulenta. Cheguei a bater os 86km/h com meio acelarador e ouvi relatos de 102km/h. Começamos todos muito bem até a 10min do start onde era preciso esperar em Villatoro a famosa passagem entre vales. 10Min antes do start há um apagão e foi o salve-se quem puder. O Paulo esteve muito bem porque se posicionou há direita da estrada e manteve a altura. Eu primeiro e depois o Cláudio caímos para perto da antena e por lá fiquei até entrar o ciclo que nos pôs outra vez no jogo com 8min de atraso. Dali até Avila pouca história, andamento rápido com a confluência a montar-se à direita da nossa rota para Arcones. Depois começa a asneirada, para subir melhor deixei-me chegar demasiado perto de Avila e entrei a raspar no espaço aéreo da academia de polícia. Depois para virar tudo à esquerda direcção à barragem, que é um marcador visual do próximo espaço aéreo, fiquei baixo de mais. Andei a rapar chão uma data de km e com as derivas entrei outra vez na esquina do espaço aéreo, este o de Madrid penso eu. Recuperando os 2500m outra vez foi retomar a velocidade para fazer o resto da manga. Não sem antes ter atravessado a eito o espaço aéreo do aeródromo de Segovia. Parece uma piada mas de mau gosto, não houve nenhum que não tivesse queimado. Soube que o Cláudio estava bem no grupo da frente mas que a menos de 20km do golo foram ultrapassados por um grupo mais atrasado de, nem mais nem menos, 50 pilotos. A chegada ao golo foi massiva com mais de 50 pilotos nos primeiros 15min. Amanhã corrida outra vez e resultados de manhã. Não devemos ter sido os únicos a queimar espaços aéreos, deve ser animado o briefing. Até amanhã.


Lacerda

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Dia de treinos oficiais


Dia de treinos oficial aqui em Piedrahita. Subimos à descolagem um pouco mais tarde do que o que deverá ser costume e preparámo-nos para a manga proposta pelo director de prova: 64km de zig-zag pelo vale de Piedrahita. A janela para descolagem abriu às 12:30 e start marcado para uma hora depois.
Antes do start houve que picar uma baliza à direita da descolagem. À hora do start estávamos os 3 prontinhos junto ao cilindro de entrada. A corrida começou com um bom ritmo, boas térmicas e boas linhas de transição.
O vento era fraco do quadrante N e permitiu acelerar o andamento ao longo da manga. 1ª baliza perto da passagem para Villatoro, 2ª baliza na direcção oposta, em Palacios de Corneja e ultima baliza em Bonilla de la Sierra, não muito longe da 1ª. A equipa manteve sempre um bom andamento, o Cláudio um pouco mais próximo do 1º grupo e o Pedro e o Paulo logo a seguir no 2º. Entre a 2ª e a 3ª baliza enrolámos a ultima térmica e o Cláudio largou um pouco cedo demais. Picou a ultima baliza já baixo e não conseguisubir para chegar ao golo. Ficou a 7km. O Paulo e o Lacerda não tiveram problemas e no final chegaram bem altos ao golo, pois os últimos kms foram sempre a subir.
Prevêem-se mangas bem maiores nos próximos dias e já a contar! ;)

Ontem foi dia de cerimónia oficial de abertura. Fizemos um pequeno desfile junto ao Palácio dos Duques de Alba e depois os tradicionais discursos pelas entidades locais. Não conseguimos ouvir muito bem porque nos puseram por trás da banda filarmónica :) Mas os confetis que voaram deram um ambiente de festa fantástico! Depois seguiu-se o "jantar" de abertura, oferecido por alguém que se esqueceu que éramos 140 pilotos cheios de fome! :)


Vejam algumas fotos de Martin Scheel aqui

A equipa Nacional no 12º Mundial de Parapente em Piedrahita





terça-feira, 8 de junho de 2010

última manga - Campeonato Europa 2010

o melhor dia!
a previsão era excelente, com tecto alto e vento fraco, alguns (poucos) cúmulos a aparecer.
subimos cedo para a descolagem e logo se percebeu que a organização queria deixar uma boa imagem e proporcionar aos pilotos a desforra pelos longos dias de espera debaixo de um céu carregado de chuva e mau tempo, com os programas alternativos chatos e aborrecedores (visitas a pontos turísticos da zona, piscinas fantásticasm, saunas mistas, etc..)
ouviu-se falar numa manga de 180km!
acabou por ser "apenas" de 141... uma triangulação com golo em Abtenau para proporcionar o espectáculo também á população local.
Na hora da partida, foi a brisa local que pregou uma partida, com o vento a entrar de costas e a atrasar as descolagens a quem estava mal posicionado. Acabou por se organizar e a partir daí foi a corrida mais alucinante! com a passagem no Dachstein, o cenário seria digno de um relato por si só. As paredes de rocha vertical e a neve e gelo do glaciar impressionam pela dimensão. No entanto toda a gente estava ali a competir a sério e foi possível andar bastante rápido pelas paredes fora em direcção á 1ª baliza.
Uma constante neste cenário é a presença de caminheiros e escaladores em TODOS os cumes que cruzamos, impressionante como no mais remoto pico se vêm grupos de volta do belo salsichão e presunto, depois da caminhada até lá acima. enquanto nós por cá.. é mais centros comerciais e estádios de futebol :P

de volta á corrida: o grupo da frente ia seguindo mais ou menos compacto e estava a audiência toda a vibrar, a seguir em directo pelo Google Earth. cruzámo-nos com muitos planadores, asas delta e outros parapentes, a fazer o seu voo local mas que também ajudaram a marcar as térmicas. no ataque á baliza de Radstaad era necessário cruzar o vale principal e foi interessante ver como os vários grupos convergiram quase em simultaneo para a baliza, apesar das várias opções tomadas, todas resultaram praticamente sem grandes diferenças. Na frente, os manos Virgílio continuavam a puxar bem enquanto o resto do team seguia no grupo perseguidor.
o ataque ao colosso de rocha antes da passagem para o vale de Abtenau tb se revelou crítico e aqui ficou praticamente definido o resultado final pois do outro lado iríamos encontrar ascendente bastante fraca e apenas já na parte final. foi portanto uma transição bastante longa sempre a cair pelo planalto até á última baliza. o francês Luc Armant arriscou tudo e acabou por aterrar antes do golo, enquanto Donini controlava tranquilamente, observando de cima e tirando para o golo com a corrida e o título controlado.. o Cláudio estava no encalço e fez a jogada. atacou forte também e cruzou o End of Speed Section praticamente ao mesmo tempo que o LucaDonini, num final de cortar a respiração. No entanto estava bastante baixo e havia ainda que cruzar a linha, para validar o tempo. Foi inglório o esforço - uma vez que tocou com os pés no chão antes da linha, para ainda descolar novamente no pequeno declive antes do golo - mas de grande mérito, a comprovar o nível dos nossos pilotos, que neste momento voam de igual para igual com os melhores do Mundo. Logo depois chega o NunoV, nos 20 primeiros. O Paulo Nunes terminou também pouco depois esta exigente prova, chegando com a sensação de missão cumprida. Nuno G e Cris aterraram antes, depois de grande luta e de um voo épico. No caso do Cris, partindo da desvantagem de ir sozinho por não ter podido descolar na molhada pelo facto referido do vento de costas durante um largo período.




Luca Donini não deu hipótese á forte concorrência e prova uma vez mais que está entre os melhores dos melhores, juntando o 2º título de campeão da Europa ao seu palmarés (campeão do Mundo em 2001, Europeu em 2006 e 2010, 3º da PWC em 2009, aqui aos comandos de uma asa "convencional", quando se estreou o carbono nos protos da Ozone)

ficamos com a sensação de ligeiro amargo de boca, mas com a nítida convicção de que a classificação final não traduz o nível real. Há que continuar a apostar forte em provas de nível elevado. Só assim é possível progredir e evoluir nesta modalidade. fica o desafio a todos para mudar o "chip". desde a federação, aos organizadores, e fundamentalmente aos pilotos. voem muito, voem mais, mais longe, mais rápido, mais alto, em segurança.

ultimos dias

o final do Campeonato contrastou com os dias anteriores. Finalmente as nuvens desapareceram e a chuva parou.

Assim a 2ª manga foi definida com algum optimismo apesar do tecto baixo e de ainda haver muita humidade no ar.

66km, com partida em Bischling, start no paredão de rocha e inversão de sentido pelo vale de Radstaadt. Muito parecido com uma manga do pre-Europeu, onde o Cláudio jogou uma cartada que lhe valeu a vitória. tínhamos estudado o terreno e possivelmente iríamos tentar o mesmo.

O início foi feito com a espera na nuvem, e o arranque para o start com 2 grupos distintos a organizarem-se. No regresso acabou por se agrupar novamente um grande grupo com os piilotos que iam na frente, independentemente do trajecto inicial.

PG European Championship 2010 - Icepeak4 && reserve from Dmitry K on Vimeo.


A grande divisão seguinte aconteceu no ataque á crista que serviu de trampolim para atravessar o grande vale. O grupo que descaiu para barlavento acabou por demorar mais tempo e quem vinha a seguir optou pelo sotavento, que rendeu bastante mais.
Depois deste passo foi um saltitar de crista em crista consecutivamente, até o ataque à última tirada, cruzando novamento o vale na direcção oposta. O Cláudio ia no grupo que tomou a opção mais acertada e atacou a tal crista meio desviada da rota mas que lhe permitiu apanhar um verdadeiro canhão (o mesmo do ano passado)e juntamente com um grupo pequeno de pilotos chegar ao ponto de decisão crítico antes do atravessar do vale. Aqui, chegou com bastante altura mas hesitou e acabou por perder algum tempo antes do glide final. Um embrulhanço mesmo no fim ainda assustou mas a Icepeak4 "new style" recuperou a tempo.
Mais atrás na perseguição vinha o Nuno, que com a Mercury "arrastadeira" lá conseguia ir acompanhando os bólides. por duas vezes teve de ligar o survival mode para ultrapassar uns pontos mais críticos mas acabou por chegar razoavelmente bem.
O Nuno Gomes fechou o golo, chegando mais tarde e estratosférico, depois de várias aventuras pelos alegres sotaventos Austríacos enquanto que o PNunes e o Cris tiveram mais dificuldade em determinados pontos do percurso e acabaram por não terminar a manga.

Na classificação estava tudo renhido, com Donini na frente e Luc Armant ainda a não descolar.

terça-feira, 1 de junho de 2010

31 de Maio - Festa de Verão

Este dia será inesquecível. Fomos visitar as grutas de gelo aqui da zona. Têm 42km de extensão, embora apenas 1km seja visitável. A temperatura interior é aprox zero graus... e a exterior também!

(another) grounded day @ 11th Paragliding European Championship from Cláudio Virgílio on Vimeo.

domingo, 30 de maio de 2010

Oi...



Onde estes rapazes andam...
mais fotos do dia de ontem aqui

sábado, 29 de maio de 2010

3ª manga - cancelada

Subimos à descolagem pelas onze da manhã, por entre pingos de chuva e nevoeiro. Por sorte existe por perto um pequeno restaurante onde devorámos uma CurryWurst enquanto esperávamos pela decisão do director de prova se haveria manga ou não.
Finalmente, foi dada a ordem: vamos tentar uma manga curta. Material preparado, livetrackers a funcionar, só faltavam 2 condições essenciais para abrir a manga: ver-se a aterragem e haver vento para descolar. Esperámos...esperámos...e quando se começava a vislumbrar qualquer coisa, chegou a decisão final do director de prova: manga cancelada devido ao sobredesenvolvimento da nuvem por cima da descolagem. Ainda assim foi permitido aos pilotos que voassem até Abtenau, e embora o (pouco) vento soprasse de costas, foram muitos os que aproveitaram para matar saudades daquilo que nos trouxe aqui: voar!
Já depois de toda a gente aterrada chegou novamente a chuva e a trovoada... e um belo churrasco oferecido pela organização!

Amanhã a previsão aponta para neve acima dos 1300m... quando é que chega o Verão a esta terra?????

3rd task - 11th Paragliding European Championship from Cláudio Virgílio on Vimeo.



fotos de Martin Scheel aqui

sexta-feira, 28 de maio de 2010

e ao 7º dia...

Começou finalmente a prova, depois de mau tempo, chuva, muita instabilidade atmosférica e trovoadas.

Ainda assim foi definida uma manga curtinha e definidos os horários para bastante cedo, pois havia o risco de sobredesenvolvimentos a partir das 3 da tarde.
deslocámo-nos para outra descolagem que ainda não conhecíamos. Enorme! descolam 200 asas ao mesmo tempo, tudo verdinho, de relva (a fazer lembrar Mirandela :)

A manga consistiu numa ida de cerca de 25 km pelas cristas fora, a saltar de vale para vale e regresso á descolagem. Mais uma perna na encosta e ataque ao golo em Abtenau. Total 54km.
O andamento foi alucinante com o grupo da frente a terminar em pouco mais de 1h.
Havia sempre muitas nuvens e apesar dos cirrus em cima, muitos cúmulos a funcionar bem, com tectos a várias altitudes a permitir o slalom por ali fora. A rota era mais ou menos óbvia não dando para muitas jogadas tácticas. Por isso houve sempre grupos compactos até ao final, ora adiantando-se ora separando-se conforme a decisão de seguir a direito ou perder algum tempo na térmica para fazer o tecto máximo. Foi pura corrida de velocidade!
o Team Portugal descolou mais ou menos ao mesmo tempo, com o Cláudio a colar rapidamente aos top guns da prova e o restante da equipa a seguir também bem posicionado.
É notória a vantagem das asas da nova geração, com transições bastante mais eficientes e (aparente?) estabilidade quando toca a acelerar.
No ataque á penúltima baliza ficou mais ou menos tudo decidido, com o francês Luc Armant (designer da Ozone) a afirmar-se na frente e mais alto que os restantes. ganhou destacado do grupo perseguidor. O Cláudio, que foi o voo todo na testa da corrida, arriscou a tirada final saindo mais baixo mas acabou por não conseguir picar imediatamente a última baliza e teve de gastar algum tempo para subir novamente o que o fez atrasar.
Aqui as decisões são fulcrais e uma pontinha de sorte por vezes também dá jeito, com as linhas de ascendente a revelarem-se de extrema importância pois é possivel andar rápido e subir sem perder tempo a enrolar térmica.

de volta á corrida: o Nuno V. que seguia na molhada da frente, atacou a última baliza juntamente com o Búlgaro Yassen e arrancaram juntos. mais umas voltinhas fundamentais para garantir a chegada e siga, prego a fundo para a última tirada de 7 km. É difícil estimar a posição pois chegou um grupo bastante compacto nos primeiros 10 minutos.
Pouco depois chegam o Cláudio e o Paulo Nunes, seguidos pelo Cristiano (que registou a velocidade mais elevada entre todos: 75km\h). O Nuno G fechou a equipa pouco depois.

Muita gente no golo, chegaram 134 dos 141 descolados!
Amanhã há mais, estamos com a pica toda!

resultados provisorios aqui

mais algumas fotos do dia aqui

PRODUÇÕES RONACHER

2nd task - 11th Paragliding European Championship from Cláudio Virgílio on Vimeo.